A Fadinha e o Tritão – Parte 3 (O bilhete)

28 05 2009

- “Eu estive doente por uma semana, pode parecer incrível, mas as fadas também têm alergia. Eu te esperei, porém logo fui te procurar em teu reino não achei nada… pensei que você pudesse ter ido a outro reino, arranjado uma sereia… não sei. Comecei a voar pelos bosques sem esperança, apenas pra me distrair minha mente.” Murmurou a fadinha em uma voz tremula.
- “Bem, parece que nos temos um desencontro aqui?!” Falou Berilo chegando bem perto. “Nós tínhamos os mesmos medos, chegamos as mesmas conclusões precipitadas e nos arriscamos por amor.” Ele disse numa voz calma.
- “Bé, eu ainda te amo!” disse a fadinha, que agora encarava os mesmos olhos verde água que ela conhecia. A fadinha agora pode reparar que os arranhões das guelras ainda estavam presentes em seu pescoço.
- “Eu também te amo minha fadinha” disse enquanto alisava o rosto dela.
- “Mas e ela? Vocês não estão juntos?” perguntou a fadinha com uma pontada de esperança
Berilo pareceu pensar por um momento, parecia nervoso, porem respirou e disse:
-“Escute Tis, é uma longa história. Eu a conheci durante minha procura por ti, eu sentia fome e a família dela me deu casa e comida, nós nos tornamos bons amigos. Até que ela apareceu grávida dizendo-me que o amor dela havia a abandonado. Eu senti que devia ajudá-la, nós casamos e viemos morar distante da sua família para que eles não desconfiassem de que a criança não possa ser meu filho. Mas só somos bons amigos Tis, ela sabe que já fui um tritão e sempre soube quem foi meu grande amor, nós respeitamos os nossos amores.” A história fluía dos lábios de Berilo, porem ele ainda parecia nervoso. “Mas antes de se juntar a nós eu gostaria de pedir antes um favor, não é uma condição, é apenas um favor.”
- “De que forma eu posso ajudar.” Murmurou a fadinha, que acreditava na história.
- “Ela quer que você procure pelo amado dela, ela cuidou tanto tempo de mim eu não quero que ela fique sozinha grávida, hoje eu sei que ela o perdoaria.”
- “Sim eu posso amenizar o sofrimento de quem ama, vou fazer o possível.” Disse a fadinha terminada.
Berilo deu as informações que sabia para facilitar a busca de Tis e mostrou um desenho que a sua companheira havia feito dele. Então ele a pegou num beijo arrebatador, ainda com a mesma virilidade do tritão que ela conheceu um dia.
Tis partiu imediatamente seguindo o rumo indicado por Berilo. Ela disfarçou a suas asas para poder andar nos povoados humanos sem ser percebida, levou alguns dias, mas ela achou o rapaz. Ele estava jogado em uma ruazinha em um sono profundo segurando uma garrafa de run. Ao se aproximar a fadinha percebeu que apesar do seu aspecto lamentável, ele era muito bonito. A fadinha deu um ponta pé no rapaz para que pudesse acordar, ele pareceu desorientado. Até que abriu os olhos devagar e cambaleou um pouco ao olhar para cima, seus olhos eram negros exatamente como seus cabelos bagunçados.
- “O que voxe pensa que táá faxendo.” disse ele embriagado ainda.
- “Eu tenho notícias que podem lhe interessar.” Disse a fadinha.
- “Voxcê tem uuuma… garrafa de run ai?” disse o rapaz entre soluços.
-“Não.” respondeu a fadinha.
- “Então… nãão me interrressa.” Disse o bêbado.
- “Nem se forem informações sobre o seu filho.” Jogou Tis.
A reação não foi como Tis esperava, o rapaz arregalou os olhos e logo começou a chorar. Ela o ajudou a levantar e foram até a uma pensão que havia perto dali, a fadinha tinha algum ouro e pediu um quarto para que o rapaz pudesse recompor sua sobriedade. A fadinha esperou até o dia seguinte, o rapaz parecia outro muito mais limpo e de barba feita agora, mas ainda parecia triste e desorientado, ao vê-lo assim a fadinha pode entender porque a linda moça havia se apaixonado. Ele se dirigiu até ela.
- “Yurio” estendeu a mão o rapaz.
- “Acalântis, mas pode me chamar de Tis.” Retribuiu a fadinha.
- “O que você tem para me dizer?” Disse nervosamente o rapaz.
- “Eu vim te buscar para que você possa ver seu filho que estar para nascer.”
- “Meu filho…” pensou ele com um leve sorriso. “Eu pensei que Grazina jamais iria me perdoar… como ela está? É verdade que ela se casou com Berilo?” agora havia um pouco de remorso na voz do rapaz.
- “Ela está bem e casada com Berilo sim, porem eles não passam de bons amigos. Na verdade ela só casou-se com ele porque você havia fugido.”
- “o pai dela me ameaçou e logo depois me subornou para que eu saísse da cidade, ele definitivamente não gostava nem de mim nem da minha família. Eu sabia que seria impossível viver aquele romance em paz, então eu aceitei, para o próprio bem dela. Eu não sabia que ela estava grávida, se não eu teria a levado comigo.” Ele disse levando as mãos a cabeça. “Eu fui covarde. Eu não consegui passar muito tempo longe dela, e voltei para levá-la comigo… então ela já havia ido embora com Berilo.” Disse ele num tom de desespero.
- “Acalme-se Yurio, vai ficar tudo bem, Berilo me disse que ela te perdoa. Eu posso te levar onde eles estão.”
A fadinha levou Yurio aos bosques e revelou suas asas. Contou sobre seu segredo ao belo rapaz. Ela podia movê-lo no ar também. Eles viajaram voando pelos bosques. No caminho a fadinha contou-lhe sobre seu romance e ele pode contar mais detalhes do seu também, crescia aos poucos uma grande amizade.
Depois da pequena viagem eles chegaram até a casinha simpática de Berilo. Eles bateram na porta com ansiedade, mas ninguém atendeu. A fadinha resolveu entrar, a porta estava aberta.
- “Cadê ela Tis?” perguntou Yurio com ansiedade.
- “Devem ter saído apenas por um momento, logo voltam.” Disse a fadinha tentando disfarçar sua angustia ao ver casa vazia, aquela velha sensação de deja vu bateu.
- “Tis, tem um bilhete aqui, ele está com o seu nome.”
Ele entregou o bilhete a ela. Seu coração acelerou e o frio na barriga era inevitável. Ela exitou ao abrir, até que tomou coragem e começou a ler.
Minha fadinha,
Desculpe-me por ter que mentir para você, Grazina realmente esperava um filho de Yurio, o fato é que apesar de descobrir o que seu pai fez ela nunca perdoou nem ele nem o seu pai, e em um gesto de amizade eu não pude abandoná-la, assim que nos casamos para que eu pudesse assumir o filho fugimos e eu contei todo o meu passado de tritão. O tempo foi passando e a amizade se tornou carinho e amor, nós somos parceiros. Eu prometi sempre cuidar dela, uma pessoa que sempre me deu apoio. Nenhum amor comparado a paixão que eu ainda sinto por você. Quando você apareceu veio tudo a tona novamente, mas eu tive que manter minha promessa, o nosso filho já havia nascido. Eu menti quando disse que ela estava grávida ainda. No dia anterior ao que você apareceu nós fomos a uma feiticeira que prometeu transformar no três em tritãos, nós tínhamos planos de nos juntarmos a minha família novamente, ao abandonar o meu reino meu pai disse que me perdoaria pela minha escolha. Eu pensei em desistir do plano quando você apareceu, mas já era tarde, começaram a abrir as guelras do meu pescoço, ontem nos estávamos nos despedindo da terra. A criança vai ser tratada como um tritão. Diga ao Yurio que não vamos mentir sobre o verdadeiro pai. Por isso, eu pedi para você procurá-lo não só para que pudéssemos ir sem magoá-la, mas também para que você tenha alguém ao seu lado. A pesar de tudo eu sempre soube que ele era um ótimo rapaz. Espero que um dia você possa me perdoar por tantas mentiras. Eu continuo te amando e lembrando das nossas tardes de por-do-sol.
Amo-te para sempre,
Do seu tritão, Berilo.

A fadinha não podia sentir-se mais traída. Ela apenas chorava em desespero ao saber que nunca mais iria vê-lo. Seu corpo todo parecia dormente a dor. Ela não sabia o que pensar. Yurio resolveu consolá-la apesar da sua profunda tristeza ao também ler a carta.
E os dias seguiram assim, um consolando ao outro, a amizade já se transformava em carinho. A fadinha nunca esqueceu aquela carta, mas resolveu perdoar o tritão, assim como Yurio perdoou a linda mulher de cabelos loiros. O perdão amenizava a dor que ambos sentiam, então como um acordo eles conformaram-se em se tornar parceiros e passando a sentir amor um pelo outro aos poucos. Eles viveram muitos momentos felizes ao longo da vida e nunca mais tocaram no nome das antigas paixões. A vida passou e a fadinha percebeu que nem mesmo uma fada poderia viver para sempre de um conto de fadas.





A Fadinha e o Tritão – Parte 2 (O Reencontro)

27 05 2009

Mais uma tarde chegava e ansiosamente Tis voava para Berilo, sua jóia do mar. Agora o assunto fluía como se já se conhecessem há anos, um contando ao outro seus costumes e como eram os seus reinos e as vezes davam beijos de despedida. Um dia a fadinha teve uma grande idéia.
- “Eu poderia conhecer seu reino?” se ofereceu a fadinha com um largo sorriso.
- “Eu daria um jeito se houvesse como.” Disse ele com uma expressão confusa.
- “Há uma maneira, mas não por muito tempo, porém ainda sim é uma boa maneira” disse Tis.
- “Ok Tis! Me mostre” disse o tritão curioso.
Então a fadinha fez uma magia onde se fazia envolta em uma grande bolha de oxigênio. Ser fada do ar tem lá suas outras vantagens além de voar mais rápido por ai. Berilo pareceu realmente feliz, mas pediu cuidado, pois ninguém podia os ver por lá, ou poderia ser perigoso para a fadinha.
O tritão mergulhou abrindo suas guelras e logo em seguida a fadinha foi atrás. Parecia um nado sem fim para o fundo dos oceanos, até que ela pode ver corais fluorescentes iluminando algo que pareciam uma espécie de casas das cavernas, só que em corais rochosos. Eles estavam seguros em volta das algas, a fadinha se encantou com o som que podia ouvir das lindas sereias que passavam por ela.
- “Cuidado! Tape os ouvidos, nosso canto tem realmente poderes de encantar qualquer um mais que o necessário.” Sussurrou Berilo.
O tritão explicava cada detalhe do que ele via, fazendo Tis cada vez mais deslumbrada. Até que ele há levou em um lugar cheio de corais mais próximo a superfície e aos peixes inofensivos. Logo a fadinha percebeu que era uma espécie de santuário. Um lindo santuário.
- “Eu queria poder visitar o seu reino.” Murmurou o tritão triste.
- “Não há nenhuma maneira?” perguntou a fadinha tentando-o consolá-lo, mas sem sucesso.
- “Há somente uma maneira Tis! A de ir e nunca mais voltar. Eu queria poder ir e ficar com você para sempre, mas não posso deixar minha família. Eu teria que pedir um encantamento do meu próprio pai, como se eu renunciasse a minha própria raça, meu pai é um ser compreensivo, que se difere de vários outros, mas mesmo assim não sei se eu seria perdoado por deixá-lo.” Disse o tritão com olhos distantes.
A fadinha sentiu vontade de abraçá-lo, porém a bolha não permitia o contato. Agora não era só o contato que fazia falta, mas o ar também e logo eles se encaminharam para a superfície. A lua chegava e com ela o fim de mais um dia de romance.
No dia seguinte a fadinha acordou com nariz vermelho e olhos chorosos, era a sua velha alergia a pó de pirlimpimpim e pelo que parece alguém havia brincado com um pouco envolta da sua árvore. Bateu o desespero, pois ela geralmente passava uma semana de cama sem força para voar ou fazer qualquer magia. Não havia nada a ser feito, para avisar o Berilo o jeito seria esperar com uma tamanha ânsia.
A semana passou-se parecendo anos sem fim. Logo depois de tomar muito mel de flores a fadinha se sentia revigorada e pronta para um vôo até as pedras, ansiosa por encontrar seu amado ser do mar. Lá estava ela sentada na pedra vendo o dia se passar e nada acontecer, ou melhor surgir. O pôr-do-sol chegou e pela primeira vez deixou a fadinha insatisfeita com sua tarde ao mar. Deixando-a com mil perguntas na cabeça “Será que ele havia desistido dela?” “Será que ele ainda estava lá” “Será que apareceu uma graciosa sereia, um amor possível no tempo da sua ausência?” “Será que ele desistiu do amor puro entre nos?”. O nó na sua garganta se fez, cada vez mais apertados, como um nó de marinheiro. Lágrimas foram inevitáveis.
No dia seguinte Tis estava decidida, sem exitar ela se fez envolta na bolha novamente, nos seus 10cm de fadinha para não chamar atenção. Ela se pôs no mar e procurou o tritão aonde pode, claro sem que ninguém percebesse, escondida entre as algas. Nada dele, nem no seu santuário de corais estava, ela passou um tempo nesse local pensando nos momentos que haviam passado juntos, até que foi interrompida do seu transe com aproximação de um casal de sereianos, ela se escondeu observou seus rostos, mas nenhum deles era o de Berilo. Quando teve a oportunidade, foi para superfície, afinal ela não queria ver o quanto o tritão podia ser feliz com alguém da sua espécie. Mais perguntas se fizeram em sua cabeça “Será que ele havia ido embora?”.
A fadinha decidiu fugir do mar, e dos bosques do reino das fadas também. Nada fazia sentido em sua cabeça, ela voou por todo o reino épico procurando por uma resposta, que jamais viria. Passaram-se alguns anos e fadinha já não sabia pelo que procurava, ela apenas se aventurava em reinos de criaturas diferentes, algumas vezes enfrentando criaturas perigosas, mas isso já havia se tornado uma diversão e distração.
Até que um belo dia ao observar uma linda casinha no campo, ela avistou o que parecia ser impossível. Ela viu o rapaz nos fundos da casa arrumando um cenário de algo que parecia ser um piquenique. Seu coração deu um salto com sua visão, mas sim, ela tinha certeza era ele! Berilo! Tis ainda não sabia como ele estava com pernas, porém não haviam dúvidas. Ele continuava lindo, mesmo sem o brilho da sua pele e seus longos cabelos brancos, que agora encontravam se curtos e com um tom muito claro de amarelo, contudo suas feições ainda eram as mesmas perfeitas de sempre. Em um impulso a fadinha se pôs a mostra com o seu tamanho humano e sua certeza estava confirmada quando de longe o rapaz a encarou com olhos surpresos. Era como o primeiro olhar, mas agora também havia inquietação. Ele parecia imóvel a surpresa, quando a fadinha ia tomar a iniciativa de pular em seus braços, uma moça muito bonita apareceu carregando comidas sentando-se ao lado de Berilo, o tirando do seu transe. Agora coração de Tis pareceu se apertar angustiado, sentindo-se traída foi para uma árvore chorar sua raiva incontrolada. Agora tudo fazia menos sentido ainda.
Não fazia muito tempo que ela estava sentada em um tronco no alto de uma árvore, quando ouviu o seu nome. Era a voz dele se aproximando, ela queria responder, mas seu orgulho não permitiu. Então o som da voz pareceu vir de baixo.
- “Acalântis!”. Disse o tritão com cautela, mas quase ofegante.
Ela não respondeu por não querer encará-lo.
- “Onde você esteve durante todo esse tempo?” falou ele com mais calma.
A fadinha se aproximou em um momento de ódio, deu um sorriso zombeteiro.
- “Onde eu estive? Eu procurei por você Berilo, eu esperei por você dias. Eu estava lá a sua espera. Enquanto você ganhava pernas para se divertir com uma jovem humana.” disse a fadinha com palavras tremulas e em um tom de revolta.
-“Não Tis, me ouça, não é o que você está pensando.” Berilo tentou manter a calma, mas se expressando num tom quase incontrolado também.
A fadinha olhou para o lado tentando conter as lágrimas, ela queria dar uma resposta, porém sua cabeça parecia não querer funcionar. Berilo se aproximou ainda mais.
- “Tis eu passei dias te esperando e você também não apareceu, agora eu acredito que você tenha um bom motivo, mas naquele período eu pensei que havia sido largado, que você não ia querer viver aquele romance impossível para sempre. Então eu procurei meu pai e renunciei a minha raça, eu tive que aprender a andar, me alimentar sozinho, eu quase me tornei um humano selvagem. Até que recebi ajuda de camponeses solidários e pude ir a sua procura. Eu te procurei por toda parte Tis.” Explicou o tritão em um tom cauteloso.
A fadinha acreditava nele, então se sentiu culpada. Agora era sua vez de se explicar…
Será que eles vão se entender? Será que o romance impossível se tornarar possível?
Continua





A Fadinha e o Tritão – Parte 1 (O Beijo)

25 05 2009

Em um reino épico muito distante, havia uma fadinha bastante espevitada, que vivia voando por ai com seus cabelos longos e roxos ao vento. Seu signo era do vento, o que permitia vôos rápidos pelos bosques. Um belo dia ela resolveu observar o mar, sentou-se nas pedras a beira, adquirindo tamanho humano para observar as ondas, a calma fazia sua mente ficar aberta sem pensar em mais nada. Até que seu coração deu um salto, primeiro pelo susto, depois pela beleza do que ela via. Era uma criatura magnífica que saia da água em um salto de golfinho. A criatura parecia perfeita com uma pele pálida e com um brilho particular, cabelos brancos compridos, feições afiladas e da sua cintura brotava um grande rabo de peixe dourado. Um salto rápido, mas que para fadinha parecia em câmera lenta, tempo suficiente para fita-lo com olhos admirados e perceber que os outros olhos retribuíam o mesmo olhar. Simplesmente incrível!
A fadinha foi embora antes do escurecer, mas não tirava aquela imagem da cabeça. Já tinha ouvido falar em tritãos, mas não imaginava uma criatura tão magnífica. Tinha vontade de contar pra todas as suas amigas, mas sabia que elas achariam loucura os sentimentos que sentiu essa tarde.
No dia seguinte a fadinha fez suas tarefas diárias e quando não tinha ninguém para dar conta, ela partiu mais uma vez, sabendo que tudo aquilo podia ser uma grande loucura, afinal os tritãos tinham fama de serem violentos, mas mesmo assim ela se via cheia de fascínio. Era algo que ela tinha que ver mais uma vez.
Ao chegar sentou-se na mesma pedra e tornou a adquirir ao seu tamanho humano, dessa vez não pra olhar melhor a imensidão do mar, mas sim para se sentir menos frágil e para disfarçar o medo, que vinha junto com excitação e esperança. Não demorou muito para ela ver algo se projetando na água, não como antes num salto fantástico, mas agora devagar e com cautela. Não dava para ver mais do que os ombros largos do tritão e ainda assim era belo. Ele se aproximava das pedras com um olhar receoso, porém que não deixava de ser gracioso, pois seus olhos verde água tinham uma beleza nunca vista. A fadinha não queria deixar transparecer sua tensão por trás dos seus olhos cor de mel.
- “Oi, o que você faz aqui ?” Disse o tritão com uma voz doce que quebrou a agonia do silêncio.
- “Eu vim apenas observar o mar e você?” Explicou a fadinha com uma voz quase tremula.
- “Eu vim ver a graciosa criatura que me observava ontem. Você é uma fada de verdade?” Falou o tritão acompanhado de um sorriso nervoso.
A fadinha corou as bochechas. Criou coragem e respondeu:
-“Sim” ele pareceu recuar um pouco com a resposta, mas permaneceu na superfície. “Uma fada do vento. E você é um famoso tritão dos mares?” Continuou a fadinha.
- “Sim, eu deveria ter medo de você. Fadas e gnomos não têm uma reputação muito boa aonde eu vivo.” Ele disse com um tom cuidadoso. “Mas você parece tão inofensiva, que eu não consigo ter medo o suficiente.” agora sua voz se fazia mais segura.
- “Eu perigosa¿!” a fadinha deu um sorriso zombeteiro. “Não, eu não acredito que qualquer um de nós seria capaz de fazer mal a um inseto se quer.” Ela disse com a calma que não deveria possuir. “Quem tem fama de feroz no meu reino são vocês” disse ela fazendo ele se aproximar de novo.
Os dois riram e chegaram a conclusão de que tudo não se passavam de lendas, e talvez até houvessem ataques de uma espécie a outra, pelo pensamento de estar agindo em legítima defesa, porém ambos não eram perigosos.
A fadinha foi embora ao anoitecer, tão feliz que nem podia acreditar. Não tinha dúvidas de que voltaria no dia seguinte. E voltou. Dessa vez com menos cautela e medo de ambos os lados. O tritão mostrou seu tronco musculoso, além de permanecer bem mais próximo.
- “Berilo” disse o tritão.
- “O que?” perguntou a fadinha confusa.
- “Meu nome, ontem nós falamos sobre nosso povo, mas não nós apresentamos” disse o tritão deixando escapar um sorriso.
- “Acalântis, mas me chamam de Tis” respondeu a fadinha desconcertada.
Eles se deram as mãos em um aperto delicado. Ao contrario do que a fadinha pensava não era a textura da pele de um golfinho, mas sim uma pele macia e gelada.
- “Então Berilo, como você respira lá em baixo?” perguntou a fadinha curiosa.
Ele apenas apontou para 6 grandes arranhões que haviam na lateral de cada lado do seu pescoço e antes que a fadinha caísse para trás de susto, os abriu e logo fechou. Dava pra ver o interior da garganta do tritão, eram guelras.
- “Posso?” perguntou a fadinha estirando a mão para tocar as guelras fechadas.
Ele deixou sem dizer nenhuma palavra, apenas deixando o toque da fadinha chegar a sua pele, que se controlava para não tremer. A fadinha, por sua vez, se aproximava.
- “Não dói?” Perguntou a fadinha, olhando nos olhos.

- “Não, se elas estiverem fechadas na superfície e abertas no fundo do mar.” Disse o tritão se aproximando ainda mais.
Suas faces estavam a bem menos de um palmo uma da outra. Os olhos de Berilo não fitavam mais apenas os olhos de Acalântis, mas sua boca também. Com uma aproximação cada vez mais lenta o que parecia impossível aconteceu. O beijo era terno, a fadinha podia sentir os lábios gelados e não se conteve em segurar a face do tritão com as duas mãos, como se precisasse tocá-lo para ter certeza que era algo real. Tão verdade ela soube que era, quando sentiu uma mão gelada em um toque singelo em seu pescoço alisando-o. O beijo acabou deixando sorrisos desconcertados e olhares cheios de felicidade. Enfim o sol se põe e os amantes voltam as suas casas…
Será q ele irão se reencotrar novamente? será q vão poder viver esse romance?
Continua…








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